Ao lado de Queiroga, Leo Bezerra vai sobrevivendo da caridade de quem o detesta

Redação Portal de JP

A recente imagem do prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, dividindo o mesmo palanque com Marcelo Queiroga — seu ferrenho adversário no segundo turno da última disputa municipal — é o retrato vivo de que, na engrenagem partidária, o ontem raramente dita o amanhã. Usando do que Cazuza cantou um dia para ilustrar o momento, Leo vai sobrevivendo sem um arranhão, da caridade de quem o detesta. E se engana que isso se aplica apenas ao ex-ministro da Saúde de Bolsonaro…

No lançamento da pré-candidatura de Eliza Virgínia (Progressistas) à Câmara Federal, Leo viu-se ombro a ombro com o homem que trabalhou ativamente para derrotar o projeto político da atual gestão. Por vias normais e pelo desejo de Queiroga, a realidade do atual prefeito seria a oposição; hoje, contudo, o pragmatismo de quem precisa manter uma maioria na base de vereadores e de quem precisa reeleger o pai para a ALPB, é o que se sobressai.

O pano de fundo desse encontro improvável atende pelo nome de Eliza Virgínia, que habilmente costura apoios em diferentes espectros. Ao mesmo tempo em que mantém laços com a gestão municipal, a pré-candidata sinaliza simpatia pelas pré-candidaturas de Nabor Wanderley e do próprio Queiroga rumo às duas vagas ao Senado Federal, além de apoiar Lucas Ribeiro para o Governo do Estado.

Esse arranjo transforma o palanque em uma espécie de território neutro, onde o rancor da última eleição é sepultado em nome de interesses do hoje prefeito que precisa se reafirmar como expressão política. Para o cidadão comum, a cena pode soar como incoerência; para eles, trata-se apenas de mais um dia comum na complexa e maleável arte de somar forças na Paraíba.

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