Foto: Jane de Araújo/Agência Senado
A senadora Daniella Ribeiro (PP) relatou, na manhã desta sexta-feira (10), durante um seminário promovido no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) ter sofrido violência contra a mulher.
Diante de desembargadores, juízes e até ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a parlamentar — coordenadora nacional do Programa Antes que Aconteça — descreveu a violência que sofreu no período em que esteve casada com um juiz paraibano.
Apesar de não mencionar o nome do magistrado, Daniella desabafou sobre os momentos em que foi vítima.
“Desembargador Leandro [dos Santos], enquanto o senhor estava no seu apartamento, que é o mesmo prédio que eu, eu muitas vezes estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso, do lado de fora, era um mestre em ser socialmente agradável”, disse, prosseguindo.
“Mas, por que você continuava? Eu vou dizer porque. Porque o abusador, ele faz o seguinte, primeiro ele consegue fazer com que você acredite que tudo é culpa sua. Ele consegue num dia te colocar dentro do carro e diz vou matar eu e você porque você conversou dois minutos a mais com fulano de tal e eu vi que ele olhou para você e você olhou para ele. Acusações que você começa a pesar se está ficando louca”.
Daniella também contou que foi forçada a fazer uma tatuagem com a assinatura do ex-companheiro para conseguir viajar com as amigas. Após o divórcio, o nome foi coberto com o desenho de uma flor.
No discurso, Daniella Ribeiro afirmou ainda que o juiz se afastou da magistratura quando ela concorreu à Prefeitura de Campina Grande para ser seu coordenador de campanha, em 2012. Com isso, ele passou, segundo a senadora, a controlar quem se aproximava dela, inclusive familiares.
“Quando chegou em Campina, para ser coordenador, ele escolhia quem chegava perto ou não, e ele afastou até meu pai [de mim]. Meu pai ligava par meu irmão [Aguinaldo Ribeiro], triste porque eu estava aceitando. Na realidade, eu estava administrando”, relembrou.




