Sobre leilões e coerência: Guga Pet entre a autonomia e a sobrevivência política

Redação Portal de JP

A decisão do vereador Guga Pet (PP) de romper com o prefeito Cícero Lucena (MDB) para apoiar o projeto de reeleição de Lucas Ribeiro (PP) ao Governo do Estado reflete um movimento de sobrevivência política que prioriza o futuro eleitoral em detrimento da força administrativa atual.

Ao deixar a base municipal, Guga abriu mão de uma secretaria autônoma, com orçamento próprio e dezenas de cargos, onde gerenciava diretamente o Hospital Veterinário de João Pessoa, seu principal trunfo político e vitrine de atuação.

No Governo do Estado, a realidade é distinta. O vereador comanda agora, ainda informalmente, uma secretaria executiva vinculada à Saúde, a Secretaria Executiva de Proteção Animal, com uma estrutura sem autonomia financeira e com equipe reduzida a poucos cargos. Para ser mais preciso, 8 cargos.

Na prática, ele deixou de ser o ordenador de despesas de um equipamento único na Paraíba, que é o Hospital Veterinário de João Pessoa, assim como a gerência das demais políticas públicas voltadas para o setor, para se tornar um articulador que precisa solicitar demandas à pasta principal. É o que sussurram por aí: na prefeitura, ele era dono do próprio nariz. No estado, ele tem que pedir ‘por favor’.

Porém, o que Guga ganha, entretanto, é a segurança da legenda. Ao se manter fiel aos Progressistas e ao grupo dos Ribeiro, ele garante as condições partidárias necessárias para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026, algo que poderia ser ameaçado caso permanecesse em um campo oposto ao de seu partido.

A escolha é um clássico exemplo de sacrifício do presente em nome de um projeto futuro. Guga perdeu o controle direto de sua maior ferramenta de trabalho e diminuiu seu poder de execução imediata na capital. Mas, garantiu o direito de estar no tabuleiro das próximas eleições estaduais. Seria dar o clássico dar um passo para trás, para dar dois para frente.

O sucesso dessa aposta dependerá de sua capacidade de convencer o eleitorado da causa animal de que a articulação política no Estado compensa a ausência da gestão direta que ele exercia no Hospital Veterinário municipal.

Por João Apolinário Neto

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